domingo, 27 de dezembro de 2009

Duas. Uma

tu és uma espécie de escada, um caminho que se sobe, um pé depois do outro a ganhar fôlego, a guardar energia com medo de perder forças a meio. Eu não queria dizer ou admitir, de uma forma ou outra, mas às vezes acordo em pânico, à procura, a lembrar-me de que estás aí e que algures no tempo encontramo-nos, numa distância de espaço e tempo, numa proximidade só de memórias.
Hoje lembrei-me dos anos que já passaram desde a primeira vez que me agarraste a mão. Tantos dias fechados nesta espécie de desenho, de conto, de sonho, de algo que ainda hoje não entendo. tentei perceber, não ousaria perguntar, se a tua mão estava aqui e tu também... eu não sei, foi uma surpresa, talvez até um susto, a rua íngreme, a calçada, os meus pés e de repente, eras tu ali. Uma mão, a minha mão. Duas. Uma.
eu sei que as tuas incógnitas não são as minhas. é nas tuas perguntas que percebo o quanto somos dois mundos que não se tocam. não se tocam. A contradição. Uma mão, a minha mão. Duas. Uma.