tu podias escrever-me uma espécie de carta para dizer tanta coisa que vive transformada em coisas, objectos, obstáculos a atravancarem-te a vida. Podias dizer que sabes como vai ser e que tens as respostas para todas as perguntas; podias dizer-me que não sentes a minha falta e que quando eu estou é como se esbarrases comigo e ficasses com nódoas negras do impacto; podias dizer-me que escreves e rasgas a fazeres-me longe e a aceitar a minha presença; podias dizer-me que há momentos em que não te meto medo e não sabes explicar porquê mas é uma espécie de instinto, talvez semelhante ao dos cães depois das tempestades, porque chego, crio, construo e depois ficas tu, as mãos plenas da brisa com que arrancas uma a uma todas as pedras das minhas muralhas.
terça-feira, 14 de julho de 2009
cartas
eu podia escrever-te uma espécie de carta para dizer tanta coisa q vive transformada em coisas, objectos, obstáculos, a atravancar-me a vida; podia dizer-te que não tenho grande parte das respostas para as perguntas q me colocas, que não faço a minima ideia de como vai ser... podia dizer-te que sinto a tua falta quando não estás, que às vezes é como se esbarrasse contigo e ficasse com nódoas negras do impacto; podia dizer-te que te escrevo e rasgo, a fazer-te presente, a aceitar-te na distância; podia dizer-te que há momentos em que me metes medo e não sei explicar porquê mas é uma espécie de instinto, talvez semelhante ao dos cães antes das tempestades, porque chegas, destróis, derrubas e depois fico eu, as mãos cheias das pedras das minhas muralhas feridas do vento.