se tu vives às vezes em silêncio a deixar-me viver em paz,
tens outras em que rebentas fúrias dentro de mim, acordas-me o passo, carregas-me a mochila, fazes-me as malas, carimbas-me o passaporte,
se tu vives às vezes em silêncio, sem perguntas,
tens outras em que me inundas o cerebro com as imagens das revoluções que quero ver, do chá de menta que quero provar, do frio do deserto, do suor do tango,
se tu vives às vezes em silêncio, sem me tocar,
tens outras em que me apertas os braços, queimas-me as mãos, fazes-me tropeçar para me lembrar que o meu lugar não é aqui,
fazes-me lembrar dos portos e dos embarcados, como naquele lugar do mindelo,
em que, sem dares conta, estás às vezes cmg e sou eu a obrigar-te a ser nómada,
quando queres ser naúfrago!