Dei por mim a devorar diálogos de filmes como se fossem capazes de preencher os buracos negros em partes da minha vida. Engraçado como podemos viver nas palavras de outros e partilhar com estranhos, do outro lado do écran, os sorrisos, as ironias e rever-nos nas armaduras que construímos para nos proteger.
Ultimamente tenho tido choques frontais com todas as barreiras que ergui para não me magoar, não questionar, não ter que cortar... e dou por mim incapaz de toda a espécie de sentimentos e a secar por dentro. E ainda assim, plena dessa consciência, deixei de procurar ferir, sangrar, só para sentir seja o que for!!
Esta anestesia permanente é fruto da rotina e da escravidão do tempo, concerteza! O que efectivamente me chateia é pensar que, para além disso, é fruto de uma defesa que se tornou demasiado eficaz e na qual eventualmente, e sem eu saber porquê, se abriram fissuras.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
estupidez
A estupidez da História é a estupidez da sua repetição. Seria engraçado se não fosse cruel.
semáforos
Eu esperei por ti no outro dia enquanto o elevador, na sua rotina, subia e descia gentes. Tu não deste conta mas o meu cheiro cruzou a entrada do prédio quando abriste a porta. Eu já lá não estava mas um rasto das minhas saudades perdurou no sabor das minhas mãos na porta.
Amor, não percebeste mas eu procurei-te nas luzes dos semáforos. Pensei que naquela intermitência tu chegasses, me achasses. Fiquei paralisada frente à sequência de cores enquanto todo o barulho era silêncio e a tua ausência, a tua distância, me feriam. E deixei que me ferissem até não ser capaz de sentir fosse o que fosse.
Estás perto agora? Bem que tacteio as paredes à tua procura, esbarro na mobília e em todos os objectos que nos separam mas não te encontro. E tu gritas, estás aqui, mas eu espero, procuro e esbarro e não sei onde te encontrar.
E essa interrogação, essa interrogação é um mar, um areal imenso e toda a revolta de uma tempestade dentro de mim. E eu frágil, frágil demais, agarro-me aos últimos farrapos para me proteger de toda esta intempérie.
Amor, não percebeste mas eu procurei-te nas luzes dos semáforos. Pensei que naquela intermitência tu chegasses, me achasses. Fiquei paralisada frente à sequência de cores enquanto todo o barulho era silêncio e a tua ausência, a tua distância, me feriam. E deixei que me ferissem até não ser capaz de sentir fosse o que fosse.
Estás perto agora? Bem que tacteio as paredes à tua procura, esbarro na mobília e em todos os objectos que nos separam mas não te encontro. E tu gritas, estás aqui, mas eu espero, procuro e esbarro e não sei onde te encontrar.
E essa interrogação, essa interrogação é um mar, um areal imenso e toda a revolta de uma tempestade dentro de mim. E eu frágil, frágil demais, agarro-me aos últimos farrapos para me proteger de toda esta intempérie.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
milhões de sóis
... milhões de sóis explodem enquanto sorris. Nesse frenezim incendiário vislumbram-se apenas os rastos das chamas em uivos de laranja
... milhões de sóis explodem enquanto sorris. Nesse frenezim incendiário a cumplicidade é o instante da minha demência
... milhões de sóis explodem enquanto sorris. Nesse frenezim incendiário subsistem apenas os estalidos da matéria consumida.
(no poetry/no fear -as palavras podem, eventualmente, estilhaçar-se na partilha)
... milhões de sóis explodem enquanto sorris. Nesse frenezim incendiário a cumplicidade é o instante da minha demência
... milhões de sóis explodem enquanto sorris. Nesse frenezim incendiário subsistem apenas os estalidos da matéria consumida.
(no poetry/no fear -as palavras podem, eventualmente, estilhaçar-se na partilha)
terça-feira, 16 de setembro de 2008
náufragos
... enquanto navegas nos teus destroços, arrisca. Talvez aí, os restos do naufrágio se tornem ferramentas para a vida. Gritarás, por todas as vezes em que caláste! Entretanto, aproveita a imensidão do mar. Nesses segundos de silêncio, antes de seres salvo, viverás em plenitude. Depois já não haverá tempo. Há que voltar a navegar, voltar a naufragar, voltar a construir.
domingo, 7 de setembro de 2008
tudo o que não queremos

Fechas os olhos enquanto danças e perdes a madrugada. Qd os voltares a abrir reconhecerás um amanhecer que sabe a chocolate e a frio que arrepia a pele. Assim é fácil perder-mo-nos no balanço que nos transporta em palavras, em melodias, para lá daqui, para onde se pode não ter nome, rejeitar os rótulosl, incendiar tudo o que está escrito... e mergulhar nessa luz imensa que poucos conhecem.
E ter toda a força para saber tudo o que não queremos!
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
obrigada
No fundo, tenho sorte. Há algumas pessoas que aprenderam a conhecer-me. Que tiveram o tempo, a vontade e a disponibilidade para encontrarem, nestes meandros, um espaço confortável com vista para quem sou. Assim, naqueles momentos em que é dificil perceber os caminhos acaba por haver, na gente que me rodeia, pequenos sinais dos desvios. Engraçado como é fácil esquecermos quem somos, perdermos a nossa identidade nesta dormência de rotinas.
Obrigada!
Obrigada!
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