... sinto-me como se as casas que fui construindo, os lugares que fui guardando, profundos, no meu coração tivessem sido arrasados. Sinto como se todos os meus abrigos tivessem sido demolidos, destruídos por qualquer grupo de rebeldes. Agarro com força os destroços do que ficou com medo que me fuja a memória. Quero passar a pente fino todos estes momentos para perceber de onde e como esses alicerces foram destruídos.
... sinto-me como se as casas em que fui vivendo tivessem sido mentiras, pedaços de sonhos, ilusões, nem sei. As coisas, todos os ornamentos que me preenchiam foram sendo desfiados por uma realidade dura, estranha, confusa. Agora, vulnerável nessa nudez ando à procura dos bocadinhos que ainda me possam mostrar quem sou.
... há um menino que vende bananas na praça, em Bissau. Em português desfia argumentos para q lhas compre. Nele, todos os sonhos roubados e ao mesmo tempo guardados. Tem 10 anos e está na quinta classe - segundo me diz. Ensinou-me que no final, há coisas que ninguém nos pode tirar. Obrigada!