quinta-feira, 25 de setembro de 2008

semáforos

Eu esperei por ti no outro dia enquanto o elevador, na sua rotina, subia e descia gentes. Tu não deste conta mas o meu cheiro cruzou a entrada do prédio quando abriste a porta. Eu já lá não estava mas um rasto das minhas saudades perdurou no sabor das minhas mãos na porta.

Amor, não percebeste mas eu procurei-te nas luzes dos semáforos. Pensei que naquela intermitência tu chegasses, me achasses. Fiquei paralisada frente à sequência de cores enquanto todo o barulho era silêncio e a tua ausência, a tua distância, me feriam. E deixei que me ferissem até não ser capaz de sentir fosse o que fosse.

Estás perto agora? Bem que tacteio as paredes à tua procura, esbarro na mobília e em todos os objectos que nos separam mas não te encontro. E tu gritas, estás aqui, mas eu espero, procuro e esbarro e não sei onde te encontrar.

E essa interrogação, essa interrogação é um mar, um areal imenso e toda a revolta de uma tempestade dentro de mim. E eu frágil, frágil demais, agarro-me aos últimos farrapos para me proteger de toda esta intempérie.