sábado, 31 de outubro de 2009

algures

existem muitas formas de (re) começos.
ontem foi um desses dias.
numa espécie de jogo de espelhos em que a realidade é ao mesmo tempo, tão imediata mas tão mediada, tão evidente mas tão enganadora, andava provavelmente a olhá-la de perfil, com receio de que, de frente, fosse demasiado difícil. mas finalmente percebi que o que é difícil não é a realidade mas antes este limbo entre dois espaços em que não se pertence em nenhum.
ainda assim, tenho certezas, ainda que pareçam estilhaços, cacos, são pedaços preciosos. posso olhá-los dispostos sem ordem e agarrá-los com força, com toda a força de quem sabe que é nesse caos que está algures a minha verdade. algures.


domingo, 25 de outubro de 2009

chuva

Gosto da chuva. O inverno sabe-me ao conforto das camisolas de lã. Lembra-me das meias quentinhas e dos almoços em casa da minha avó nos tempos de escola. Tem este aroma de castanhas assadas e de Lisboa, vestida de cinzento, agreste num vento gelado. Gosto da chuva. O inverno sabe-me a viagens de comboio. Lembra-me de cadernos por encher e canetas novas. Tem este aroma de lenha e de lareiras, o gosto do fogo. A saudade do abraço.

terça-feira, 21 de julho de 2009

breathing

seguráste-me a mão no outro dia para me agarrar a pulsação. andáste a encontrar-me a veia para te sentires na mistura, na velocidade do meu sangue. engraçado como nesta espécie de mestiçagem me obrigas a procurar identidade. não a vês, não me vês mas deixas-me com a insatisfação permanente e o vício da busca.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

not you

It's not you. Not you!

terça-feira, 14 de julho de 2009

cartas

eu podia escrever-te uma espécie de carta para dizer tanta coisa q vive transformada em coisas, objectos, obstáculos, a atravancar-me a vida; podia dizer-te que não tenho grande parte das respostas para as perguntas q me colocas, que não faço a minima ideia de como vai ser... podia dizer-te que sinto a tua falta quando não estás, que às vezes é como se esbarrasse contigo e ficasse com nódoas negras do impacto; podia dizer-te que te escrevo e rasgo, a fazer-te presente, a aceitar-te na distância; podia dizer-te que há momentos em que me metes medo e não sei explicar porquê mas é uma espécie de instinto, talvez semelhante ao dos cães antes das tempestades, porque chegas, destróis, derrubas e depois fico eu, as mãos cheias das pedras das minhas muralhas feridas do vento.
tu podias escrever-me uma espécie de carta para dizer tanta coisa que vive transformada em coisas, objectos, obstáculos a atravancarem-te a vida. Podias dizer que sabes como vai ser e que tens as respostas para todas as perguntas; podias dizer-me que não sentes a minha falta e que quando eu estou é como se esbarrases comigo e ficasses com nódoas negras do impacto; podias dizer-me que escreves e rasgas a fazeres-me longe e a aceitar a minha presença; podias dizer-me que há momentos em que não te meto medo e não sabes explicar porquê mas é uma espécie de instinto, talvez semelhante ao dos cães depois das tempestades, porque chego, crio, construo e depois ficas tu, as mãos plenas da brisa com que arrancas uma a uma todas as pedras das minhas muralhas.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

a pergunta de apresentação ideal

I'm Nobody! Who Are You

I'm nobody! Who are you? 
Are you nobody, too? Then there's a pair of us--don't tell! They'd banish us, you know.  
How dreary to be somebody! How public, like a frog 
To tell your name the livelong day 
To an admiring bog! 

Emily Dickinson
Renfroe, Erin M. "Erin's Emily Dickinson Page." 1999. [Online]
Disponível em http://www.cswnet.com/~erin/edpoem.htm#aspiration

segunda-feira, 6 de julho de 2009

100 kms

talvez percebas um dia que há nessa insatisfação uma espécie de cruzada, que não vês mas que eu reconheço, pq minha, clara, evidente. talvez percebas um dia, q sintas, q não precisas de destruir, de silênciar nessa destruição, quem és afinal. hj são 5 segundos, talvez mais, mais uns 2 ou três, de saudades idiotas, estúpidas, cansativas. tristes por parecerem verdadeiras, tristes por as saber num limbo de realidade virtual, 100 kms de cabos de fibra óptica ou outra forma de construir sentido onde ele não existe.